Conceitos controversos entre MPS.BR e PMBoK: Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira, faço o que o MPS.BR pede ou o que o PMBoK recomenda?

Conceitos controversos entre MPS.BR e PMBoK: Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira, faço o que o MPS.BR pede ou o que o PMBoK recomenda?

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Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira, faço o que o MPS.BR pede ou o que o PMBoK recomenda?

O assunto de hoje é sobre um desalinhamento entre conceitos do PMBoK e do MPS.BR, que surgiu através de outro post sobre o quem é o responsável pela elaboração do Estudo de Viabilidade Econômico e Financeiro (EVEF) do projeto.

Antes, verifiquemos o que diz o MPS.BR no item Nível F,  no item GPR11 tem a nos informar sobre o EVEF:

"... O estudo de viabilidade considera o escopo do projeto e examina aspectos técnicos (requisitos e recursos), financeiros (capacidade da organização) e humanos (disponibilidade de pessoas com a capacitação necessária). Pode-se considerar também os objetivos de negócio da organização..."

Acredito que o MPS.BR, quando mencionou: "Pode-se considerar também os objetivos de negócio da organização", poderia ter utilizado o termo: "Deve-se considerar os objetivos de negócio da organização".

O MPS.BR não deveria flexibilizar, através da expressão "Pode-se", pois isso é obrigatório, o EVEF é feito obrigatoriamente para atender, única e exclusivamente, o objetivo da empresa, que, aliás, será diferente dos objetivos do Fornecedor, como mencionado em outro Post, sobre a responsabilidade da elaboração do EVEF.

"... Muitas vezes é preferível não iniciar ou parar um projeto já iniciado do que prosseguir com um projeto inviável. O prosseguimento pode levar a perdas maiores, tanto para o fornecedor como para o cliente..."

Minha interpretação neste trecho é que: se pode levar a perdas maiores, significa que já é aceitável uma perda.

Se as perdas que o fornecedor levar, de fato acontecer, das duas uma: ou não foi feito uma gestão de mudança eficiente, com levantamento dos impactos, riscos, mudanças de escopo, custo, prazo, qualidade, etc., ao ponto de deixar o projeto chegar ao prejuí­zo ou o Business Case não foi feito adequadamente, ou ainda fora escrito superficialmente.

O Fornecedor deve dar insumos ao Cliente, para que ele faça o seu próprio EVEF.

É errado dizer que o EVEF é feito no decorrer do projeto. O correto é afirmar que o processo de gestão de mudança, principalmente a gestão de risco seja feito em todo o ciclo de vida do projeto e cabe ao Cliente tomar a decisão se o projeto vai prosseguir ou não.

Agora, um informação de suma importância sobre o que é Business Case, segundo o PMBoK:

"... O Business Case, ou documento semelhante, fornece informações necessárias do ponto de vista de um negócio, para determinar se o projeto justifica ou não o investimento. Normalmente, a necessidade de negócio e a análise do custo e benefício estão contidas no Business Case para justificar o projeto..."

Ora, se o EVEF, segundo o PMBoK é realizado através de um documento chamado Business Case, que segundo as boas práticas, deve ser feito na fase do pré-projeto, como o Fornecedor fará o EVEF se o projeto ainda não foi aprovado e formalizado através do Termo de Abertura?

Para evitar conflitos entre boas práticas, a teoria do PMBoK e do MPS.BR, sugiro interpretar texto de outra forma, como cito abaixo.

Texto original:

"O estudo de viabilidade considera o escopo do projeto e examina aspectos técnicos (requisitos e recursos), financeiros (capacidade da organização) e humanos (disponibilidade de pessoas com a capacitação necessária). Pode-se considerar também os objetivos de negócio da organização Muitas vezes é preferí­vel não iniciar ou parar um projeto já iniciado do que prosseguir com um projeto inviável. O prosseguimento pode levar a perdas maiores, tanto para o fornecedor como para o cliente"

Substituiria por:

"O estudo de viabilidade considera o escopo do projeto e examina aspectos técnicos (requisitos e recursos), financeiros (capacidade da organização) e humanos (disponibilidade de pessoas com a capacitação necessária). DEVE-SE considerar também os objetivos de negócio da organização Muitas vezes é preferível Não iniciar ou parar um projeto já iniciado do que prosseguir com um projeto inviável. O prosseguimento pode levar a perdas maiores, tanto para o fornecedor como para o cliente E PERDAS PARA O FORNECEDOR, SE ACEITAR AS CONDIÇÕES IMPOSTAS PELO CLIENTE SEM ANTES UMA EFETIVA GESTÃO DE MUDANÇA."

Recomendo seguir as práticas do PMBoK, porém, se você está com  o MPS.BR em mente, significa que talvez haja um desejo em certificar a sua empresa, então, esteja preparado para justificar aos avaliadores a flexibilidade que o MPS.BR deixa quando utiliza o termo: "Pode-se".

Utilize o correto processo de Gerenciamento de Mudança e de Orçamento e Estimativa de Projeto com a forma que tem de fazer um "EVEF", como Fornecedor.

Normalmente as normas, certificações ou metodologias são mais imperativas, o que não ocorreu neste caso, que de certo modo, nos deixa mais tranquilos para argumentar com o Avaliador do MPS.BR.

Busque adequar-se às práticas se baseando na teoria, mescle os dois conceitos, não siga cegamente apenas um dos caminhos, pense na certificação, se for o caso, mas procure imaginar se na prática você criaria um novo problema.

No final, a sua empresa agradece!

Boa sorte!

 

Autor: Adriano Martins Antonio, PMP

Fonte: PMG Solutions Consultoria e Treinamento em TI
www.pmgsolutions.com.br


 

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